terça-feira, 24 de maio de 2011

FANTÁSTICO MELGA!

DIZIA O HERMAN
Isto porque li a intervenção do Presidente da República (Cavaco Silva) na Sessão Solene Comemorativa do 100º Aniversário do Instituto Superior de Economia e Gestão, no dia 23 de Maio de 2011 em Lisboa.
Está em  http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=53921
Dessa intervenção este excerto


"Em tempo de balanço, que as comemorações sempre implicam, podemos e devemos perguntar-nos, com a redobrada oportunidade do esteio do passado, qual o papel que devem ter os economistas na sociedade portuguesa de hoje?
Esta interrogação recordou-me uma lição de sapiência que proferi em Fevereiro de 1982, precisamente sobre esse tema, e que se encontra publicada na Revista “Economia”. Antecipava-se, então, a segunda vinda do Fundo Monetário Internacional a Portugal, no contexto do acordo de ajustamento que acabou por vir a ser assinado em 1983. E, curiosamente, ao reler o que então escrevi, concluí que muitas das interrogações e das expectativas da altura não perderam a sua actualidade.
Vivia-se uma grave crise económica, marcada pelo desemprego, sobretudo entre os jovens; havia uma grande desigualdade na distribuição da riqueza; era baixa a produtividade da economia e visível a tendência para défices externos insustentáveis.
Se bem que, desde essa altura, muito se tenha evoluído a vários níveis, o facto é que a gravidade de alguns dos velhos problemas que subsistem e dos novos problemas que, entretanto, emergiram exige, mais do que nunca, uma “contribuição decisiva da parte dos economistas”.
Seguirei, pois, de perto, essa minha alocução de 1982, nas palavras que escolhi dirigir-vos nesta data do centenário. A sua actualidade mostra que o tempo tem cadências bem diferentes do que aquela que muitas vezes lhe exigimos.
Referindo-me às responsabilidades dos economistas, afirmei então que estas “surgem ainda maiores se acrescentarmos que uma correcta avaliação dos custos que aqueles problemas representam para a sociedade não pode ficar-se pela consideração de umas quantas variáveis económicas chave, como é corrente nos livros de economia, impondo-se ter presente certas incidências negativas do tipo social e político que, no Portugal de hoje, não devem ser ignoradas”.
E, prosseguindo no tema, acrescentava que “a tomada de medidas para a solução dos problemas económicos constitui a essência da política económica; no entanto, (...) a política económica é feita pelos políticos e não pelos economistas enquanto economistas”. Mas, sublinhava eu, isto não deveria significar um alívio, porque “a credibilidade da profissão seria muito atingida se invocassem uma grande isenção de responsabilidades”.
Perguntava, pois, tal como se pode perguntar hoje: “Qual o papel dos economistas na formulação da política económica? Qual a sua influência sobre as decisões?”
E entendia então, tal como hoje continuo a entender, que cabe aos economistas “convencer os políticos e outros decisores da sua utilidade”; ou seja, “que as decisões económicas baseadas nos seus conhecimentos têm mais possibilidade de acertar do que as decisões baseadas na ignorância”.
Isto, claro, admitindo, como desde logo ressalvei, que não se poderá tomar como modelo um tipo de político como aquele que Keynes descreveu e que, segundo ele, “tinha as duas orelhas tão junto ao chão que não conseguia ouvir o que lhe dizia um homem vertical”.
É que, continuava eu, “assegurar um papel para os economistas significa (...) reconhecer que são eles que trabalham e fornecem os ingredientes com que os políticos fazem a política económica”. Explicitando, de seguida, que “se inclui claramente entre a responsabilidade dos economistas o pronunciarem-se sobre o que deve ser feito”, pois as reformas económicas e sociais de que, - ontem como hoje, acrescentaria -, o País precisa “podem ser produtivas e justas, se feitas da forma correcta, mas também podem ser desastrosas e injustas, se forem erradas”, como em 1982 afirmei.
Quase 30 anos depois, vivemos tempos de grande instabilidade internacional, que abalou muitas das nossas convicções e que rompeu laços de confiança sem os quais será muito difícil reconstruir o caminho para o desenvolvimento.
Numa fase em que, também na vida nacional, a confiança se tornou o factor mais determinante para a retoma da economia, é ainda de plena actualidade a recomendação que então deixei: caso as suas propostas não sejam aceites por quem tem o dever de decidir, o economista não deve resignar-se com facilidade, mas o que “não pode aceitar é trair as regras do método científico e subverter a lógica do seu raciocínio de modo a produzir as conclusões desejadas pelos seus clientes”.
Este ponto é particularmente importante para a credibilidade quer de quem aconselha, quer de quem decide confiado nesses conselhos, uma vez que, como dizia, referindo-me aos próprios economistas, “a sua influência sobre as escolhas não reflecte exclusivamente critérios científicos”.
Retomo, por isso, parte da reflexão que o assunto me mereceu em 1982: “Embora a racionalidade seja o pressuposto básico do economista, a sua intervenção no processo de formulação da política económica não é a de um mero especialista de políticas racionais e neutras. (...) De facto, aos mais variados níveis de actividade do economista estão presentes juízos éticos, que reflectem o seu próprio sistema de preferências (...),” mas “devo acrescentar que não partilho a opinião de que isso implique a perda de racionalidade e do estatuto científico da Economia. Penso, contudo, que é necessário garantir (...) objectividade à análise teórica para que as opiniões económicas não sejam uma simples questão de escolha pessoal (...)”.
Esta percepção reconduz-nos ao papel das escolas de economia no mundo actual e à sua interacção com os decisores políticos ou, melhor dizendo, à preparação dos alunos para a vida profissional e para a intervenção cívica e política.
É que hoje, tal como há 30 anos, “sobressaem dois aspectos fundamentais da formação dos economistas em que cabe à Universidade papel relevante: o do conhecimento científico e o do sistema de valores”.
No domínio dos conhecimentos, exige-se, dizia eu em 1982, “uma formação analítica sólida e actualizada”, capaz de “estabelecer as relações adequadas e de tirar as conclusões lógicas”, bem como uma “formação adequada no domínio de outras disciplinas sociais (...), porque a Economia diz respeito ao homem” e às várias dimensões do seu “comportamento social”.
Por outro lado, acrescentava, os economistas devem saber “actuar numa realidade concreta, a portuguesa, com as suas características particulares (...), muitas vezes ignoradas ao nível de abstracção a que os modelos económicos são desenvolvidos”.
Tudo isto continua válido, se não mesmo reforçado, nos dias de hoje. Mas, se há coisa que mudou profundamente com os meios de comunicação e a rapidez da difusão de mensagens, é que o tempo da acção política encurtou de forma excessiva: as políticas que olham o médio e o longo prazo têm pouca aceitação eleitoral e fraco suporte mediático e o que interessa tende a ser, sobretudo, o que é visível no momento.
Isso condiciona fortemente a acção científica dos economistas, chamados a apoiar os decisores políticos com os seus conselhos, fazendo-os correr um risco sério de abandonar a capacidade de olhar à distância, para fornecer soluções que apenas atendem ao contexto imediato."

COMENTÁRIO
Tudo isto invocando a tal lição de sapiência (vejam lá) proferida em Fevereiro de 1982 antecipando-se então, a segunda vinda do Fundo Monetário Internacional a Portugal, no contexto do acordo de ajustamento que acabou por vir a ser assinado em 1983. Lição essa dada sabem por quem?
- Precisamente por quem tinha Exercido o cargo de Ministro das Finanças e do Plano em 1980-81, no Governo do Primeiro-Ministro Francisco Sá Carneiro, e era então Presidente do Conselho Nacional do Plano (1981 a 1984).
Sabia do que falava então e parece que sabe do que fala agora.
Em Fevereiro de 1980, Cavaco Silva, Ministro das Finanças de Sá Carneiro, revalorizou o escudo em 6 por cento, sendo a primeira subida do valor externo do escudo depois da Abrilada. Esta medida dificultou as exportações. As importações subiram assim como os gastos orçamentais. O défice das transacções correntes subiu 5% (do PIB) em 1980 para 11,5% em 1981 e 13,2% em 1982. A dívida externa disparou de 467 para 1199 milhões de contos. A somar a tudo isto, o Prof. Cavaco Silva foi também responsável por um clima de crispação contra a liderança de Francisco Balsemão o que levou ao fim da AD e, nas eleições de Abril de 1983, à vitória do PS.
Claro que e porque o descalabro já era tanto como Cavaco Silva reconhece agora que reconheceu em 1982 o FMI entrou cá de facto. Mas pela Mão de Soares e Ernani Lopes. Consta que como Técnico Cavaco Silva participou nas negociações. Pudera! Como deixara o País sabia ele!!

Mas quanto á visão a longo prazo que ao que parece, obcecados pelos resultados eleitorais, os políticos não têm, estarão então disponíveis os economistas  para obviar graças ás sua capacidades técnico cientificas obtidas nas tais universidades.

(Ficaria apenas por definir a que quadrante politico deveriam pertencer os economistas consultados. O mais provável ao do vencedor das eleições. Mas se formos por aí lá se iria o rigor cientifico a favor das opções subjectivas e ideológicas)

Bem esta é demais. É que Cavaco à data já tinha sido político e economista ao mesmo tempo como Ministro das Finanças. O que repetiu entre 1985 e 1995 como Primeiro Ministo. Estão agora a ver a estreiteza de visão a longo prazo e a tendência de apenas atender ao imediato, do Ministro e Primeiro Ministro Cavaco corrigida pela clarividência sapiente e capacidade de olhar à distãncia do Economista e Especialista em Finanças Anibal Cavaco Silva. E no que deu nesse longo prazo a política do betão e cimento armado. A política da destruição da nossa agricultura e pescas, A política da litoralização do País. A política do abandono do nosso mundo Rural. A destruição do nosso aparelho produtivo primário. A política do país de serviços e do turismo e de que tudo o que se necessita se compra nos supermercados adquirido ao exterior, Etc, Etc, Etc.

Mas como eu sou suspeito o melhor é lembrar o discurso do ex-Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, na Cerimónia Comemorativa do 37º Aniversário do 25 de Abril no Palácio de Belém, em 25 de Abril de 2011

"Um das razões por que chegámos à situação em que estamos foi a falta de sustentabilidade e a ausência de uma visão de longo prazo com que muitas vezes se decidiu e escolheu, comprometendo o futuro.

Antes de ser portuguesa, esta crise é uma gravíssima crise mundial e europeia, a maior desde 1929, com uma incidência aguda e particular no nosso país, pois junta às dificuldades gerais as nossas vulnerabilidades próprias. Essa crise mundial é uma crise civilizacional, moral, política, económica e social, que afecta países, grupos sociais e pessoas já antes dela muito vulneráveis. É ainda a crise do modelo económico e social neoliberal, que se recusa a não reconhecer o seu fracasso e continua a querer aproveitar em seu favor os danos que causou. Esta contradição essencial — estarmos a tentar combater os males com os remédios que os causaram — mostra-nos que ainda não foi virada a página. Jorge Sampaio"
Ao que parece SAMPAIO ( e reforçado pelo facto deste discurso estar na página da Presidências ver http://www.presidencia.pt/?idc=22&idi=53125)  referiu-se então a marcianos!

FANTÁSTICO MELGA! Seria de rir como o Herman,
Mas o que me dá é vontade de chorar!

E também é por estas que não votei em CAVACO
Lopesdareosa

quinta-feira, 10 de março de 2011

PROCESSO-PROGRESSO-REGRESSO-RETROCESSO


Esta encontrei-a em DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

http://revoltatuga.blogspot.com/2011/02/processo-progresso-regresso-retrocesso.html

Quote
As Câmaras Municipais estão a colocar as aldeias às escuras, à noite, desligando as luzes para não gastarem energia. Há cinquenta/sessenta anos atrás as aldeias também não tinham electricidade, nem de noite nem de dia.

Leio nos jornais que a moda deste ano vai ser os espartilhos e os soutiens feitos de materiais duros como a corticite. Há cinquenta, sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.

Os responsáveis pela, segurança Rodoviária querem instituir a velocidade máxima nas localidades de 30 km/h. Era isso que acontecia há cinquenta/sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia, carroças nas ruas. Já não estaremos muito longe desse futuro devido à escalada do preço do petróleo e falta de uma energia alternativa à escala mundial.

Também li que, devido ao aumento do preço do tabaco, já há muita gente que retomou o hábito de fumar o tabaco de enrolar, tal como era frequente há cinquenta/ sessenta anos atrás.

Devido à carestia dos transportes, já há muita gente, em Lisboa, a andar nos transportes públicos (foi o telejornal que o demonstrou, há dias). Tal e qual como antes, há cinquenta/sessenta anos atrás, quando as pessoas iam para o emprego de cacilheiro, de autocarro, eléctrico ou de comboio.

Por causa do desemprego e dos cortes que os nossos embriagados governantes estão a fazer, já se vêem pessoas a fazer hortas na periferia de Lisboa, produzindo couves, batatas, feijões e cebolas, nos cantinhos abandonados das urbanizações. Tal como faziam os seus pais e avós, há cinquenta/sessenta anos atrás. Se querem ganhar dinheiro no futuro comecem a comprar todas as parcelas de terreno de solo arável ao redor das grandes cidades porque os custos dos transportes e do encarecimento do combustível já está a provocar um encarecimento vertiginoso dos bens alimentares.

Aliás, retoma-se actualmente o conceito de “agricultura biológica” que se fazia há cinquenta/sessenta anos atrás, antes de surgir a praga dos adubos industriais. E andam por ai engenheiros a ensinar técnicas de compostagem que era o que se fazia, há cinquenta/sessenta anos, ao aproveitar resíduos orgânicos, chamava-se-lhe estrume.

Li num jornal diário e vi uma peça de noticiário da televisão, que as cabras estão a ser utilizadas para prevenir os incêndios florestais, mandando-as pastar para as florestas comer aquilo que, não sendo eliminado, constitui combustível propício à deflagração dos incêndios. Essa técnica era amplamente utilizada há cinquenta/sessenta anos atrás. Hoje para os combatermos temos uma protecção civil a gastar milhões e com um comandante a encher os bolsos com um saco azul, segundo as últimas notícias.

O mais interessante é que tudo isto está a acontecer em nome do futuro, recuperando aquilo que havia no passado.

Como lhe chamar? Processo? Progresso? Regresso? Ou retrocesso?
Unquote

MEU COMENTÁRIO
Brilhante! Tão brilhante que para mim é como OS LUSÍADAS. Só tenho pena de não ter sido eu a escrever este texto.

A parte das cabras também está no meu:

No entanto essa parte, a da "agricultura biológica" ( antigamente chamava-se lavoura) e a das "Hortas Urbanas"  já as vejo (agora) defendidas por aqueles que destruíram essas (estas e outras) mesmas práticas.
Destruiram a ruralidade - agora querem cabras no monte!
Destruíram a lavoura - agora querem a "agricultura biológica" que ao fim e ao cabo vem dar ao mesmo.
Enterraram solo arável debaixo de betão e cimento armado ( para a expansão das cidades, diziam) agora
defendem a "novidade" das "hortas urbanas"
Destruíram as pescas e a marinha mercante mas agora o mar  é que é!

É o Portugal dos reconvertidos que tem no Presidente a sua máxima expressão!
Discurso de segunda posse; tudo ao contrário do que praticou durante dez anos como Primeiro Ministro!
Fizemos mal - os outros que indreitem!
É tudo em prol dos jovens!
Também eu, há trinta anos, era um jovem e não me orgulho nada do que então para mim era feito.
( Já nessa altura se falava no futuro e o meu já passou)

E é por essas e por outras qua não votei em Cavaco

TONE DO MOLEIRO NOVO

segunda-feira, 7 de março de 2011

OS BARRETES

A ideia do título encontrei-a na página 3 da edição do i de 28 de Fevereiro de 2011.
No artigo OS BARRETOS, da autoria do Engenheiro Agrónomo José Martino, este manifestava que tinha saudades de António Barreto que, numa curta experiência ministerial à frente da Agricultura, tentara (?) pôr ordem na Reforma Agrária em curso ( no Alentejo, acrescento).
E também saudades de Álvaro Barreto que, como ministro da Agricultura durante os consulados de Cavaco Silva como primeiro Ministro, tinha sido o principal negociador em Bruxelas dos apoios comunitários que iriam culminar nos acordos da PAC cujo rosto foi Arlindo Cunha.
Depois de uma série de justificações defendeu nesse artigo que, não tendo sido brilhantes os últimos anos para a agricultura, que tinha chegado ao que chegou,  por falta de uma política para as especificidades das agriculturas de Portugal, tinha  a esperança numa próxima e certeira resposta e que esta dependeria do aparecimento de um misto de António Barreto e Alvaro Barreto para resolver a questão.

Também no PUBLICO o mesmo autor e já em 29 de Janeiro último, num texto a OLHAR PARA O FUTURO e dada a situação a que chegara a agricultura, aconselhava António Serrano a ouvir com urgência o "nosso " rosto da PAC, Arlindo Cunha.

Ora como a questão é OLHAR PARA O FUTURO só se entenderá o desejo do aparecimento de um misto de António e Alvaro Barreto para resolver a questão da nossa agricultura ou a audição de Arlindo Cunha "nosso" rosto da PAC, no sentido nos elucidarem sobre tanta asneira feita e seus porquês, dado que como figuras do PASSADO e pelas experiência havidas, nos poderão ajudar a decidir sobre o que não se deve fazer.

Isto porque
António Barreto para além de ser o coveiro da "Reforma Agrária" ( e não vou sequer classificar se bem ou se mal) nada mais adiantou à agricultura em Portugal. Sendo a tal reforma agrária confinada ao Alentejo, suas herdades e seus proprietários António Barreto limitou-se a resolver o problema destes. Nada mais se notou no aquém Tejo.

Alvaro Barreto foi o coveiro definitivo ( com Arlindo Cunha) da Nossa Agricultura. Trocou-a  por dinheiro a mando de Cavaco Silva, Presidente da Junta à data.

E nem sequer é (apenas) a minha opinião. Estou a citar por exemplo;
Mário Crespo- Ver JN de 27 de Julho de 2009
"As maiorias absolutas de Cavaco Silva e José Sócrates e a maioriazinha limiana de Guterres tiveram em comum o acesso a imensas verbas da Comunidade Europeia. Apesar disso esses governos deixaram legados que se traduzem nos terríveis números da insolvência. A maior responsabilidade vem da primeira maioria do PSD com aumentos eleitoralistas de ordenados do funcionalismo público que não foram suportados pelo crescimento da produtividade mas por verbas da CEE que deviam ter outro destino.
Eram dinheiros previstos no Tratado de Adesão assinado por Soares e Mota Pinto, para modernizar o sistema produtivo. Desfeito o Bloco Central, as dádivas comunitárias foram desaparecendo, desbaratadas por má administração e saque. 
Foram montantes colossais os que Cavaco Silva mandou Álvaro Barreto negociar a Bruxelas, mandatando-o para abreviar os períodos de integração da economia nacional na CEE a troco de dinheiro. Sem prazos de salvaguarda para proteger áreas económicas críticas, ( muitos países comunitários ainda os detêm) Portugal enfrentou a competitividade brutal  das economias mais desenvolvidas do Mundo" 


Miguel de Sousa Tavares

Céu nublado Expresso Quinta feira, 13 de Maio de 2010

Quando entrámos na UE, o ministro das Finanças da altura, Ernâni Lopes, anunciou "acabou-se o fado!". Mas, estranhamente ou não, a mensagem produziu exactamente o efeito oposto: "Agora, o fado vai ser subsidiado por Bruxelas". E foi, Deus sabe que foi! Anos a fio, programa a programa, sector a sector. Na década do agora inimigo das grandes obras públicas, Cavaco Silva, construímos sem parar: auto-estradas e hospitais, escolas e tudo mais. "O país está dotado de infra-estruturas!", proclamou-se, triunfantemente. E, de facto, o país precisava. O problema é que, enquanto se dotava de infra-estruturas para servir a economia, o país vendia a economia, a troco de subsídios para abate e set-aside: vendemos assim a agricultura, as pescas, as minas, a marinha mercante, os portos, as indústrias que podiam vir a ser competitivas - ficámos com os têxteis e o fado. E, quando alguém, subitamente, perguntou "de que vamos viver no futuro?", sorriram, com ar complacente. Então, não era óbvia a resposta? Iríamos viver dos serviços, do turismo, da "sociedade de informação" e... de Bruxelas."


Jorge Cruz em http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=111328
Diário Online terça-feira, 21 Dezembro 2010
"Afinal, tudo o que eu aprendi sobre desenvolvimento ao longo dos anos de estudo e de leituras, estava errado. Em Portugal, depois do 25 de Abril e sobretudo depois de aderirmos “à Europa”, o desenvolvimento do interior passou por fecharam milhares de serviços como: Linhas de Caminho de Ferro e respectivas estações e apeadeiros; Postos de GNR; Correios; Quartéis Militares; Escolas; Centros de Saúde; Maternidades; Casas de Cantoneiros entre outros. Acabamos com a Agricultura, com as Pescas, com a Siderurgia, com as Indústrias dos Vidros, do Calçado e dos Têxteis e com a Industria Naval Pesada. Em troca de uns subsídios da Comunidade Europeia, foram abatidos barcos de pesca, abandonadas fábricas e explorações agrícolas. Centenas de Construções como Silos, Escolas, Estações de Caminho de Ferro, Edifícios Militares, Conventos, Palácios e outros, onde se instalavam os serviços encerrados, ficaram ao abandono e a desvalorizarem zonas anteriormente nobres das cidades e das vilas."

Mas se estes testemunhos forem suspeitos, aconselho a ler um artigo de Manuel Coelho dos Santos no JN de 30 de Abril de 1995 bem mais perto do rescaldo dos acontecimentos.


Deste saliento:
"Quando antecipamos em três anos a aberturas das fronteiras para os produtos agrícolas, em vez de tentarmos protelar por mais alguns anos essa liberalização o que se pretendeu foi a baixa da inflação ( também ninguém pensou no correspondente aumento défice externo) mesmo que à custa de um sector fundamental do país e receber por essa via mais uma centena de milhões de contos, que ninguém sabe onde foram parar.
A nossa postura nas negociações com a União Europeia tem sido sempre a mesma com os resultados com os resultados catastróficos que hoje melhor se evidenciam..."

Nesse artigo Manuel Coelho dos Santos referia-se á situação catastrófica e à desertificação para que que o nosso mundo rural caminhava inexoràvelmente.

Isto em Abril 1995. sem citar responsáveis. Se o fizesse decerto que não invocaria marcianos.

Chamar agora António Barreto, Álvaro Barreto e Arlindo Cunha só se fosse para evitar a repetição das políticas de que eles mesmos foram responsáveis. (Jagora porque não ouvir também Cavaco Silva?)

E foi (também) para esbater esses e outros  mitos que não votei em Cavaco.

LOPESDAREOSA

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

EU ADORO ANDAR DE COMBÓIO

SUB-TÍTULO
ORGULHO-ME  DO  QUE  FIZ  QUANDO  ERA  PRIMEIRO  MINISTRO

-Cavaco e o fim de 800 kms de ferrovia   Clicar aqui Transferência   

Ver também O Ramal da Lousã e A LINHA DO TUA

Dá vómitos!

É por isso que não votei em Cavaco

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DÍVIDA EXTERNA


“Ninguém está a reconhecer” o problema da dívida externa
Desde 1960, o défice da balança comercial nacional nunca ficou abaixo dos cinco por cento
http://economia.publico.pt/Noticia/vitor-bento-ninguem-esta-a-reconhecer-o-problema-da-divida-externa_1477936#Comente
Vítor Bento: “Ninguém está a reconhecer” o problema da dívida externa
31.01.2011 - 15:23 Por Ana Rita Faria
O economista Vítor Bento criticou hoje o facto de Portugal e da zona euro estarem apenas a olhar para dívida pública, não reconhecendo o principal problema: a dívida externa.
Vítor Bento, actual presidente das SIBS

“A dívida externa é a dívida para a qual pouca gente está a olhar. Ninguém está a reconhecer a existência deste problema”, disse hoje Vítor Bento, durante a conferência “Portugal 2011: vir o Fundo ou ir ao fundo”, que está a decorrer na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
De acordo com o actual presidente das SIBS, a dívida externa bruta nacional ronda actualmente os 230 por cento do PIB, enquanto a dívida líquida anda pelos 110 por cento. “É a mais alta da União Europeia e uma das mais altas do mundo desenvolvido”, afirma, acrescentando que é a insustentabilidade desta dívida que expõe países como Portugal às dificuldades de financiamento que tem.
“É por causa da dívida externa que Portugal tem mais dificuldades em se financiar do que a Itália ou a Bélgica, apesar de estas terem níveis de dívida pública mais elevados”, explica o economista.
Vítor Bento destaca ainda que, desde 1960, o défice da balança comercial nacional nunca ficou abaixo dos cinco por cento do PIB, pelo que “o esforço que hoje temos de fazer é inaudito, porque nunca foi conseguido”. ....
avisa Vítor Bento
 Meu comentário à notícia!

Meu  Deus. Meu Deus!

My day! MAYDAY!

Sr. Francisco Sarsfield Cabral, faça favor de enviar o seu artigo O TABU DO DÉFICE EXTERNO publicado no PÚBLICO em 16 de Março de 2009, ao Sr. Bento, que ás tantas ainda lhe acontece, a este Senhor, o que acontece ao noivo no dia do casamento!

Mandahóstia!
Como dizem os Galegos aqui ao lado!

Barros Lopes
Afife

Com os meus cumprimentos
Barros Lopes
Afife



( Então, no seu artigo, Sarsfield Cabral teve até a delicadeza e o rigor, de citar, entre outros, o próprio Vitor Bento, referenciando-o como ECONOMISTA PRESTIGIADO! )

Acontece que presunção e água benta cada um toma a a que quer!
Mas como Cavaco nomeou o Senhor Vitor Bento (que, bento, como a pescada, antes de o ser já o era) para o Conselho de Estado no lugar do seu amigo e auto excluído Dias Loureiro, a questão tem tudo a ver com presunçosos e muita água benta!
E é também por isso que não votei em Cavaco.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

GENÉRICOS

Já em
http://porquenaovotoemcavaco.blogspot.com/2010/12/o-rei-banalidades.html
assumi que Cavaco

"Fora das suas atribuições constitucionais (algumas vezes dentro delas) e sempre que o Presidente da República se pronuncia sobre os mais diversos aspectos da vida política, social e económica do reino, tudo soa a oco desde que seja Cavaco a fazê-lo.
A cada intervenção dessas, e nalgumas das outras, o céu cai-lhe na cabeça!"

Ora acontece que o Nosso Presidente acaba de vetar, nesta leva, o primeiro diploma do Governo.
Exactamente sobre os genéricos.
E entende-se o porquê! É que já em 1990 e quando era Primeiro Ministro, Cavaco tinha legislado sobre essa mesma matéria! DL 81/90 de 12 de Março.
AH! Nessa altura não continha nada sobre a obrigatoriedade da prescrição electrónica. Mas isso não obstou a que vetasse o recente diploma.
Mas no de 1990 não consta nenhuma das razões que Cavaco invoca para vetar o mais recente.
O que ficou para a história foram as parangonas da comunicação social de que os Genéricos tinham chegado a Portugal com a consequente e milagrosa poupança, graças a quem?
- Ao Cavaco como era evidente!

É por infâmias, calúnias, mentidas e indignidades como esta que não votei em Cavaco!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A INFÂMIA A CALÚNIA A SLN O BPN

Ora Cavaco não gostou de ser confrontado com o caso da compra das tais acções da SLN, a tal Sociedade Lusa de Negócios. Mais uma infâmia mais uma calúnia. Tudo tinha sido legal.
Depois funcionou a blindagem dos convenientes comentadores. Qualquer pessoa poderia ter feito o mesmo negócio. Muitos outros ganham dinheiro investindo. Um caminho deveras lamentável, etc. Etc. Etc.
Como se isso fosse importante!
Em primeiro lugar a tal SLN era na data a detentora  do nosso conhecido BPN.
Esta instituição por sua vez já tinha sido alvo de alertas e reparos conforme Camilo Lourenço na Revista EXAME de Março de 2001. Deu no que se sabe.
É  dessa data a tal compra das Acções por Cavaco.
Na instituição pontificam Dias Loureiro e Oliveira e Costa, Ministros e secretários no governo de Cavaco.
Posteriormente seria esta instituição a financiar a campanha de Cavaco em 2006. Tudo coincidências
Depois e aqui é que toda a filosofia e conceitos ( e não infâmias e calúnias) que me levaram a não votar em Cavaco se desenvolvem.
Para a gente de memória curta sempre lembrarei aquele instante (13 de Outubro de 1987) em que Cavaco, Primeiro Ministro, se lembrou -Vá-se saber porquê!!! - de alertar que, na BOLSA, havia quem estivesse a comprar gato por lebre, levantando desconfianças sobre a mesma o que levou á sua própria queda!
Conjugando essa afirmação com a práxis podemos concluir que neste caso Cavaco comprou de facto por preço de gato ( 1,0 Euros por acção)  para depois vender por preço de lebre (2,4 Euros por acção). O curioso é que a poucos, ou a nenhuns outros, tocou tal sorte. Talvez porque poucos são os entendidos em economia, finanças e mercados como o nosso Prof. Cavaco. Talvez o facto do negócio ter sido avalizado por Oliveira e Costa seja apenas uma coincidência.
Por outro lado na venda, feita á própria SLN Cavaco realizou uma mais valia de 147 500 Euros o que equivale entre 2001 e 2003 a um dividendo de 70% ao ano.
Primeiro:
A SLN entregou a Cavaco um molho de 100 000 papeis e Cavaco entregou em troca  100 000 Euros à SLN.
Dois anos depois dá-se o inverso, Cavaco entrega à SLN os mesmos 100 000 papeis e recebe em troca
240 000 Euros.
Ou seja a SLN fica exactamente com os mesmos papeis mas com menos 140 000 Euros.
Pergunta-se
- A SLN descobriu, no entretanto, um poço de petróleo ou já era um poço sem fundo?
Pertencendo o BPN a este tipo de negócios não admira que tivesse ido ao charco.
Depois quem é que produziu e o quê que equivalesse a essa mais valia?
- Quantos pregos?
- Quantas Camisas?
- Quantas bananas?
Produzidas por quem?
A isso Lula da Silva se referiu como Economia Virtual em que se ganhava dinheiro transacionando papeis sem que nada, nem um alfinete enfiado num terno, se tenha produzido para justificar tais mais valias, Proclamando em 10 de Outubro de 2008 no Brasil , 1 de Abril de 2009 em Paris e 4 de Dezembro de 2009 na Alemanha, que a crise actual teria que levar ao fim desse tipo de edifício económico.
O fim do paradigma ( outra vez esta linda palavra) como preconizou Mário Soares.
Por outro lado mesmo que por absurdo houvesse uma valorização da própria SLN só se lhe tivesse saído o Euromilhões ou a descoberta do tal poço de petróleo,  pois não há crescimento económico que justifique valorizações de 70% ao ano.
Ora porque Cavaco é  conceptualmente, conjunturalmente e circunstalcialmente. arquitecto, mentor e protagonista de tal estrutura económica que nos trouxe á Crise actual e como não é isso que quero, nem para Portugal nem para o mundo...
- Por tudo o que ele representa

Não votei nele
Isto sem qualquer infâmia nem qualquer calúnia. É apenas o seu universo em que o meu não encaixa.