quinta-feira, 26 de maio de 2016

ESTIVADORES

Recebi via mail o seguinte texto:


Expresso
Bom dia, já leu o Expresso Curto
Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Por Luísa Meireles

Redatora Principal  25 de Maio de 2016

Chamam-lhe "A ira da estiva"

E é por aqui que começo, porque de vez em quando há que parar para pensar: até onde podem ou devem ir os trabalhadores no exercício democrático do direito à greve? É ele absoluto? Com certeza que não. Mas deve ser exercido? Sem dúvida, quando há interesses vitais que estão em jogo, por isso é a última forma de luta. Dos trabalhadores, em primeiro lugar, mas também do país. A questão é recorrente, e às vezes até tem contornos filosóficos. Mas não vou por aí.
Esta greve dos estivadores de Lisboa que afeta o porto da capital há 35 (36) dias (alargada aos portos de Setúbal e da Figueira da Foz) provoca 300 mil euros de prejuízos por dia ao país. Os trabalhadores queixam-se que há quem esteja a ser contratado ao dia, que os patrões querem tornar os vínculos precários, que os salários estão em atraso; os operadores que já não podem ceder nem perder mais e encetaram os procedimentos para um despedimento coletivo. Mas então é esta a única alternativa: ou greve ou despedimento coletivo? O João Palma-Ferreira, a quem roubei o título da prosa, explica o que se passa e que está a provocar uma dramática falta de medicamentos na Madeira, que já teve que recorrer à Força Aérea para se abastecer. Os contentores que estavam por descarregar foram ontem transportados do porto de Lisboa sob vigilância policial.

A greve, entretanto, já se tornou um problema político para o Governo. A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirma, salomónica, que a razão não está só de um lado, e que tentou conciliar patrões e empregados (e é verdade). Em vão. Avisou: “É um conflito social entre privados, mas afeta-nos, público, porque afeta a economia nacional. Chegou a ser assinado um acordo de paz social. Agora chegou a altura de decidir: ou mantemos os privilégios de alguns ou mantemos o emprego dos milhares de pessoas que vivem direta ou indiretamente do porto”. Veja aqui também. Mas o Bloco de Esquerda e o PCP não alinham pela mesma bitola e querem que o Governo interceda pelos trabalhadores. O assunto é para seguir de perto. Por ambas as razões: económicas e políticas."
Fim de citação
 
Respondi pela mesma via o seguinte:

lopesdareosa . lopesdareosa@gmail.com

16:17 (Há 24 minutos)
para Expresso
 
Há lodo no Cais

Magnífica peça a do que respeita aos estivadores.
Se assim é e tanto mal advém para o País porque é que não se atenta nas razões da greve???
Parece que há um outro lado. Ou pelo menos o lado de dentro do espelho!
Ver
 
Cmpts
Tone do Moleiro Novo

E das Flores no Cais retiro o seguinte:

Carta aberta das mulheres dos estivadores a António Costa

  Senhor primeiro-ministro António Costa:
 O senhor foi eleito para nos representar. Os nossos maridos estão a lutar contra o dumping social, que se deixássemos nos ia colocar na miséria, a estender a mão ao Estado e à segurança social a pedir comida para os nossos filhos. Queremos viver do trabalho e não de mão estendida a pedir esmolas ao Estado que o senhor diz ser solidário. Solidariedade é o que gostaríamos de ter aqui do seu Governo e da maioria que o apoia, revogando a lei que permite que o Porto de Lisboa seja um negócio para intermediários, chicos espertos que todos os dias nos dizem que há um problema nos mercados, nas bolsas. A única bolsa que temos é a nossa carteira e queremos lá dentro o nosso salário. Não o vimos aqui no porto, porto público, que o senhor autoriza que seja concessionado a privados. Não compreendemos por que é que o porto, uma faixa de terra de todos nós, é concessionado a empresas privadas que todos os anos dão milhões de euros de lucro. Convidamo-lo a vir ao porto, a nossas casas, conhecer as nossas famílias, ouvir-nos para que lhe possamos contar pessoalmente as nossas vidas.
Os nossos maridos trabalham não raras vezes 80 horas semanais. Nunca, em momento algum, ganharam mais do que 12.20 euros à hora brutos. O salário normal é 8 euros à hora brutos. O senhor vive com isso? Há sete homens no porto que estão no escalão máximo de 12 euros, todos os outros ganham menos. Quando abrimos a televisão e ouvimos dizer que ganham 5 mil euros pensamos que estamos num talk show de baixa qualidade.
Somos nós que assumimos todo o trabalho doméstico.
Somos casadas e “mães solteiras”. Porque os nossos filhos não veem os pais. Os pais quando vêm a casa estão exaustos, sem força para nada. Ao fim de semana, sozinhas sempre – porque os turnos não param – não temos força para nos levantar e levar as crianças a passear. O tempo que nos sobra é para limpar e arrumar a casa sozinhas – claro, se eles estão 80 horas no porto quem o faz?
Diga-nos para onde vai o dinheiro destas 80 horas de trabalho? É que para as nossas casas não é. Muitas de nós estão desempregadas, nem conseguem encontrar trabalho porque os horários não o permitem; outras ganhamos o ordenado mínimo – uma vergonha de ordenado. Queremos que ouça os nossos relatos de como gerimos uma família assim e reiteramos o convite para vir ao porto, a nossas casas, conhecer as nossas famílias, e ouvir-nos para que lhe possamos contar pessoalmente as nossas vidas.
Não queremos sobreviver, queremos viver!
Grupo Há Flores no Cais!
Mulheres de estivadores em apoio à greve
fim de citação

OU SEJA: É fácil falar nas consequências da greve. Mas dá muito trabalho saber das causas.

E se a greve é para não fazer mossa proponho-me eu, reformado, substituir-me a todos os que fazem greve assumindo as suas razões!

- Será que as digníssimas autoridades levariam então em conta as razões da greve???

Ora bolas! Farto de sendeiros estou eu!

Tone do Moleiro Novo

terça-feira, 10 de maio de 2016

Marques Mendes aldraba

Veio-me este titulo depois de ter lido o JN de hoje!

Opinião

Marques Mentes


A conclusão de Marques Mendes é simples: as escolas privadas são por natureza melhores ("não é por acaso que nos rankings as escolas públicas vêm todas cá para baixo") e o corte do financiamento público deixará o acesso à melhor educação apenas ao alcance dos ricos. Se a referência aos rankings reduz ao absurdo a defesa do indefensável, o exemplo escolhido prova a falácia do argumento. É que o Agrupamento de Escolas de Paços de Brandão recebeu em 2015, pela mão do ex-ministro Nuno Crato, um crédito de horas "pela eficácia educativa" e "redução do abandono escolar". Foi mesmo, de entre todos os agrupamentos do país, um dos oito que receberam a distinção máxima.
O caso de Santa Maria da Feira, a que se poderiam juntar tantos outros, é a imagem do assalto aos recursos públicos que este modelo representa. A lei é clara: os contratos de associação só se justificam se servirem para suprimir as insuficiências da rede pública. Não servem para financiar o negócio da educação privada. Qualquer outra interpretação significa apenas que pagamos duas escolas para a mesma população escolar.
Numa única coisa Marques Mendes tem razão: a discussão deve ser feita "retirando daqui o preconceito partidário e ideológico". Se assim fosse, certamente não assistiríamos ao triste espetáculo de uma direita para quem o Estado só é despesista quando está em causa o pagamento de prestações sociais."


Leia mais: Marques Mentes http://www.jn.pt/opiniao/mariana-mortagua/interior/marques-mentes-5166093.html#ixzz48GcaKvwI

Por sinal eu ouvi o deles comentador. Achei piada!
Se o governo tivesse continuado ou intentasse continuar a gastar no ensino privado, tendo ao lado o ensino publico e estando na lei que o apoio ao ensino privado só se verifica onde o ensino publico não tiver chegado, o aldraba ( masculino de aldraba) atirar-se-ia, numa actitude muito social democrata, ao governo acusando-o de andar a subsidiar os privados com o nosso dinheiro e sem necessidade!

Tone do Moleiro Novo - O Sem Pachorra!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Adam Smith

Escreveu um livro.

Importante deve ser pois figura no pictórico retrato de Cavaco na galeria do palácio da presidência do reino.

Nunca tinha lido Adam Smith, nem o seu  RIQUEZA  DAS  NAÇÔES.

E porque toda a gente o cita e poderia ser manifestação de ignorância ignorá-lo mesmo,  resolvi ler o Escocês.

Fiquei pasmado! Nada que consta no livro me é novidade. Lá em casa sempre se soube que se as leiras não fossem trabalhadas nada produziriam. De tudo o que lá está já o sabia da ginástica monetária da minha família tanto de muros para dentro como das relações do meu pai com seu empregador através do seu salário, dos esforços de meus pais e avós para produzir para si e para pagar a renda das leiras ao senhorio como para satisfazer as dívidas ao usurário que se aproveitava dos anos de míngua para emprestar dinheiro aos desgraçados. Da divisão do trabalho já ouvira dos relatos das fiadas, também dos serões passados a alimentar o tear para fazer mantas de farrapos. Na minha casa vira eu os tempos das malhadas e vejo ainda os da minha terra no plantio das batatas. Dos impostos, o meu avô empenhava o relógio para pagar a décima. Eu próprio sou do tempo do imposto profissional, ou seja imposto por se ter uma profissão. Depois veio uma coisa mais sofisticada chamada IRS que começou a falar de "rendimentos" do trabalho. Adam nunca falou nisso pelo que li.

Não compreendo por isso a importância que os economistas dão hoje em dia ao escrito.
No campo filosófico poderia concordar com o autor

"Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da  consideração que eles têm pelo seu próprio interesse."

No meu caso se espero o jantar é evidente que não conto que o padeiro, que o açougueiro, que o cervejeiro mo vão levar a casa. Eu é que tenho de fazer por ele! E no processo o que está em primeiro lugar é a minha fome. Se alguém tira lucro disso é outra questão.  O que eu espero é que esse alguém pague à sociedade uma percentagem desses lucros na mesma proporção que a sociedade me saca ao meu salário.
 
No campo das realidades, gostaria que o Adam viesse cá para que observasse este mundo a funcionar segundo as suas teorias:

"...e orientando ( o mercador)  sua atividade de tal maneira que a sua produção possa ser de maior valor,  visa apenas a seu próprio ganho e, neste, como em muitos outros casos, é levado como que por mão invisível a promover um objetivo que não fazia parte de suas intenções."
 
Essa mão invisível seria o "mercado" e num processo que levaria o preço das mercadorias a descer e o valor dos salários a subir! ( ler com atenção o texto de Adam S.)

( BEM SE VÊ!)

Salvaguardo no entanto que o meu conhecimento de hoje não é o de Smith há dois séculos e meio e o que admira é que este autor tivesse explanado essas ideias ainda antes da revolução industrial se ter concretizado na plenitude cuja trajecto hoje se sabe mas que não era do vislumbramento geral no tempo do Smith.

Mas não sei porque é que exultam. Se Smith viesse hoje ao mundo e observasse o resultado prático daquilo que ele, como se previsse o futuro, já explicava então, decerto que seria co autor deste mais recente livro A RIQUEZA OCULTA DAS NAÇÕES de Gabriel Zucmen.

É que, tendo Smith dedicado a explicar  o que era ou viria a ser  a RIQUEZA DAS NAÇÕES,
Hoje saberia PARA ONDE VAI A RIQUEZA DAS NAÇÕES

Nota. Encontrei em http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/
um cartoon que muito ajudaria o Adam a entender o fenómeno!


 

 
ou este outro!
 



lopesdareosa

sábado, 9 de abril de 2016

Por um par de bofetadas

Um  ministro demitiu-se da cultura!

Em primeiro lugar haveria que colocar a bofetada como elemento agregador da nossa intelectualidade.

A bofetada e suas variantes mais ou menos metafóricas, como elemento cultural identificador da alma portuguesa. E não só, como foi o caso de Garcia Marques se ter envolvido à porrada com Vargas Llosa. Por mulheres, causa nobre portanto.

Comecemos por Ramalho Ortigão e Antero do Quental que se disponibilizaram para dar umas bofetadas um ao outro. Acabaram à espadeirada!

Eça de Queirós não andou ao murro com Bulhão Pato. Atirou-lhe à cara com Tomás de Alenquer. O nosso amigo ameijoas respondeu chamando Lázaro a Eça.

Almada Negreiros atirou ao Dantas o seu manifesto ANTI. Consta que o Dantas não respondeu. Os seguidores do Dantas consideraram este desagravado pela aceitação do Salazar. Tanto do Salazar a Almada como de Almada ao Salazar!

Aquilino Ribeiro arrimou uma bengalada ao seu amigo Alfredo Pimenta. Acusaram o Aquilino de não saber lidar com a critica e com a liberdade de expressão ( curioso!) depois do apimentado ter apodado o outro de ser uma mistificação diletante e regicida!

Mário Cézarini, António Pedro, Luiz Pacheco e Jorge de Sena envolveram-se numa luta mais orgástica que as aventuras do Pacheco.

Saramago não atitou com um livro ás fuças de Lobo Antunes. Atirou-o ao chão. Dizem!

Acontece agora que João Soares ofereceu um par de galhetas ao Pulido Valente e ao Augusto M. Seabra. Estes por sua vez vilipendiaram o outro pelo seu curriculum cultural.
 
Dizem que têm direito à tal liberdade de expressão e à critica, para insultar o João.
 
Como os direitos são universais tanto para as origens como para os destinatários e da mesma forma, criticariam esses doutos e inimputáveis senhores, outro cidadão qualquer invocando essa tal de liberdade de expressão. A minha pessoa incluída de estivesse localizada nas coordenadas de João Soares, tanto mais que nisso de cultura estaria mais exposto eu que este dito cujo.
 
Mas estando eu habituado a  arrancar o estrume do eido lá de casa, não iria ensebentar as minhas mãos em merda, de novo e por tão pouco!

tone do moleiro novo

quinta-feira, 7 de abril de 2016

A produtividade da economia portuguesa

Tem sido oferecido ao público e nos mais diversos órgãos de comunicação que o investimento português em offshores tinha atingido em 2015 um máximo de 9,4 mil milhões de Euros! Isto segundo informações do Banco de Portugal que das transferências respectivas tem conhecimento.
 
Gabriel Zucmam, economista, professor assistente na Universidade de Berkeley e autor do livro A RIQUEZA ESCONDIDA DAS NAÇÕES esse valor ascenderá a 69 mil milhões de Euros!

Acontece que e como é do conhecimento geral, há dos muito bons e convenientes comentadores que são da opinião dos que argumentam que Portugal não é competitivo devido à baixa produtividade cá do pessoal. Secundam os políticos e os representantes das entidades patronais de que é necessário que os salários reflitam essa falta de produtividade, Ou seja que sejam mantidos baixos.

Mas, coisa curiosa, uma economia que não consegue por falta de produtividade aumentar os salários a quem trabalha é a mesma que põe Milhares de milhões lá fora!

Onde e por quem foi gerado esse dinheiro. Se calhar n'algum poço de petróleo no quintal desses investidores, explorado por marcianos!

É por estas e por outras que nunca votei em Cavaco. Nem voto em quejandos!

Tone do Moleiro Novo

sexta-feira, 11 de março de 2016

Um filho. Dois pais!

Sagrada Família: a mensagem do modelo familiar de Deus.


sagrada_famíliaApós celebrar o Natal do Senhor, a Liturgia da Igreja Católica do último domingo deste ano (29/12) oferece-nos a possibilidade de olhar e contemplar o ambiente em que Jesus foi acolhido e educado, ao entrar neste mundo: a Sagrada Família de Nazaré – José, Maria e Jesus. Quem apresenta-nos a ela é o evangelista e catequista Lucas, no Evangelho a ele atribuído, sobretudo, nos três capítulos iniciais, tidos e estudados como o “Evangelho da Infância”. Sem dúvida, aí está contida a própria experiência de Maria de Nazaré, que Lucas, segundo a Tradição, conheceu e até conviveu com ela.
Neste “Evangelho da Infância”, Lucas não tem a pretensão de historiar fatos, eventos estritamente históricos, mas está fazendo relato teológico, catequético, apresentando a Sagrada Família, como modelo para toda família que quer servir ao Senhor e aos irmãos. Lucas tenta acentuar as virtudes familiares, domésticas, próprias de uma família temente a Deus.
Todavia, à primeira vista, tal pretensão parece estar fora do alcance da grande maioria das famílias. Pois, se pensarmos que Maria foi concebida sem pecado, José era um homem justo, perfeitamente ajustado à vontade de Deus e Jesus, o filho de Maria e também Filho de Deus. Como traduzir este modelo em nossas famílias?
UNQUOTE
 
Encontrei este texto, segundo um critério aleatório, em http://divinooleiro.com.br/formacao/sagrada-familia-a-mensagem-do-modelo-familiar-de-deus/
 
E vem isto a propósito do tal cartaz do BE em que apresentava Cristo como tendo dois pais! ( para vincar a justeza da decisão legislativa de reconhecer aos pares do mesmo sexo o direito à adopção)
 
 
Resultado de imagem para Cartaz do BE
 
E não vou aqui discutir essa justeza nem o facto de existirem esse tipo de uniões.
 
Mas surpreendentemente ( ou não!) logo se levantaram as mais variadas vozes indignadas, ou pretensamente indignadas com tal Cartaz.
 
É que a mim a ideia fez-me sorrir apenas. Afinal não era nada que eu não tivesse aprendido na catequese. Dito de outra maneira. - Afinal não era nada que não me tivessem ensinado, tinha eu sete anos, na catequese precisamente dentro da Igreja de Vinha de Areosa e precisamente por representantes da Igreja Católica esta mesma cujos ministros actuais também muito se escandalizaram com o tal cartaz.
 
Jesus filho de Maria e também filho de Deus fazia parte da Sagrada Família de Nazaré - Jesus, Maria e José, cujo patriarca, José, era um homem justo, perfeitamente ajustado à vontade de Deus, tendo sido Jesus concebido sem pecado!
 
 Ora  o cartaz já foi criticado pelos partidos PSD e CDS/PP e pela Conferência Episcopal, que o considerou uma "afronta aos crentes". segundo a comunicação social!
PE
D. Manuel Clemente
e
Fernando Negrão critica "radicalismo" e "desrespeito pelas crenças religiosas" que, no seu entender, o cartaz traduz.
 
E mais uma procissão de protestantes que empestando a comunicação social se vão utilizando hipocritamente daquilo a que chamam as convicções religiosas do bom povo Português para levar a água ao seu moinho.
 
- Então não está na crença religiosa dos Católicos de que Cristo é ao mesmo tempo filho de José e de Deus? - Foi isso que me ensinaram. O problema desta gente é que o dogma foi invocado pelo Bloco de Esquerda, um bando de comunistas radicais!
 
Tudo isto vem na esteira de um tal Lara que censurou Saramago pelo seu Evangelho Segundo Jesus
 Cristo e condecorado recentemente por Cavaco. Talvez por tal!
 
Tudo isto vem na esteira da reacção em 1996  da Igreja Católica e de um tal Marcelo Rebelo de Sousa a um programa de Herman José em que este faz uma representação da última Ceia e que de que muito boa gente já se esqueceu!
Ver
 
 
Mas mais recentemente um mui proeminente responsável, responsável mas invisual, chamado Carlos Costa que por circunstancialismos diversos também é Governador do Banco de Portugal afirmou numa Entrevista ao EXPRESSO:
 
"NÃO SEI SE OS FUNDAMENTOS MORAIS DA SOCIEDADE PORTUGUESA SÃO SUFICIENTEMENTE FORTES!"
 
O que eu não sei nem compreendo é porque raio é que nenhum Católico Apostólico Romano, se indignou com esta sentença.!
 
-Então a sociedade portuguesa, maioritária e profundamente católica, não tem fundamentos morais suficientemente fortes?
 
- Qual é a dúvida do Sr. Carlos Costa?
 
- Será que temos de mudar de religião?
 
Pelos vistos Marcelo Rebelo de Sousa emendou a mão!
 
À cautela já reuniu com a concorrência!
 
tone do moleiro novo
 
 

quinta-feira, 10 de março de 2016

CAVA

É o nome que dão na Catalunha ao espumante que, diga-se de passagem, não é nada mau!

Parafraseando

 in JN



"Na noite de amanhã, há festa na Baixa de Viana do Castelo. A população foi convidada a sair à rua. Deve levar champanhe e bolo-rei. E ninguém está equivocado, não é um réveillon fora de tempo. Nem sequer se pretende festejar a tomada de posse do novo presidente da República. O pretexto para a comemoração é outro: a despedida de Aníbal Cavaco Silva.
O homem que esteve presente na vida de muitos portugueses, uma boa parte ainda estudantes até à idade adulta, sai da vida política e parece não deixar saudades. Nem mesmo entre os da sua família partidária. Cavaco Silva atravessou, na política, as últimas quatro décadas de Portugal. E dividiu o país. Abandona Belém sem glória
Eleito sempre por largas maiorias, ficará na História, ao contrário do que os mais críticos tentam adivinhar. Foi primeiro-ministro no auge da chegada dos fundos comunitários a Portugal. E não conseguiu, com o ímpeto reformista que lhe era atribuído, mudar Portugal de forma estrutural.
Fez aquilo que depois criticou nos outros. Construiu, construiu, construiu... e no país nada ficou alicerçado capaz de mudar, de facto, as coisas. Os muitos milhões esfumaram-se, sem ficar raiz, e Portugal ficaria quase na mesma. Como no tempo dos Descobrimentos, "ao cheiro dessa canela", o país se despovoou. Voltaria às velhas rotas da emigração.
Injusto. Sim. Portugal mudou muito. Mas mudou no sentido daquilo que Cavaco e o Governo de Passos Coelho, por si apoiado quase sem disfarce, tanto criticaram. Todos nós, os que se formaram na vida adulta "tutelados" por Cavaco, nos lembramos: foi ele o primeiro-ministro do crédito fácil, foi dele o tempo em que era quase absurdo não comprar, em cada esquina alguém nos oferecia um crédito irrecusável. Foi ele, o primeiro-ministro Cavaco, que mandou abater os nossos barcos e fala agora do oceano como se da terra prometida se tratasse. No seu tempo de chefe do Governo, subsidiava-se a destruição dos olivais, da vinha, a "triste e fatal agricultura" de outros tempos sofria um rude golpe. Os campos ficaram mais abandonados, a desertificação cresceu veloz. Hoje dão palmadinhas nas costas dos jovens agricultores.
O Cavaco presidente foi outro. O homem que nunca se enganava, o homem que detestava enfrentar a contestação das ruas, como se a discordância fosse algo impuro num regime democrático. Aníbal Cavaco Silva despede-se, diz ter feito tudo em prol do interesse nacional. Não devemos duvidar das suas palavras. A nação de Cavaco é, contudo, uma nação antiga. A nação dos pobres, mas sérios.
Na noite de amanhã, há festa em Viana do Castelo - e noutros pontos do país, com certeza."
 
Bamos agora a:

Tchim-tchim
07.03.2016
Rui Sá
 

"Tenho que fazer uma confissão: no frigorífico cá de casa repousa uma garrafa de champanhe que irei abrir e saborear depois de amanhã, dia 9. Comemorando a saída, que espero definitiva, da vida política ativa de Cavaco Silva, que, durante 20 anos, ou seja, metade do que dura o nosso regime democrático, ocupou as mais altas responsabilidades e cargos políticos.
E, não tenho dúvidas (embora na vida tenha muitas e frequentemente me engane...) que muitos dos problemas que o país vive e que não conseguiu ultrapassar devem-se às políticas que Cavaco implementou e acarinhou. Mas, para além desta razão racional, há outras de caráter subjetivo que me levam a comemorar a sua saída. Não gosto do homem, do seu estilo, da sua maneira de ser. E não é um preconceito ideológico, até porque há várias pessoas de Direita que muito respeito e por quem tenho admiração.
Mas no caso de Cavaco isso não acontece. E, procurando analisar as razões para esta "urticária", descubro um conjunto de factos que se sobrepõem à imediata falta de empatia que a sua imagem me provoca. Vejamos quais são esses factos.
Não gosto daqueles que ambicionam o poder acima de tudo, mas que procuram fazer crer que até não o queriam mas que o poder é que lhes caiu no colo, como o caso da mentira mil vezes repetida de que apenas foi ao congresso do PSD na Figueira da Foz para fazer a rodagem do automóvel e saiu de lá, "coitado", como presidente do partido.
Não gosto do que Cavaco fez a Fernando Nogueira. Recordar-se-ão que Nogueira, o mais fiel dos ministros de Cavaco, subiu a presidente do PSD substituindo Cavaco, que, depois de um dos seus habituais tabus, se afastou, em 1995, para se candidatar a presidente da República (1996). Pois quando Nogueira pediu para colocar uma foto de Cavaco nos cartazes eleitorais do PSD, este negou porque queria "apagar" o seu passado como líder do PSD. Quem faz coisas destas a amigos...
Não gosto que Cavaco tenha levado para o poder uma trupe de personagens que, hoje, se distinguem nas páginas de polícia, como Dias Loureiro, Duarte Lima e Oliveira e Costa.
Não gosto do facto de Cavaco ter implementado uma cultura da bajulação ao "chefe", no poder e no Estado, que até fez com que, na Via do Infante, a importantíssima terra de Boliqueime (que ninguém conhecia antes de se saber ser a sua terra natal - numa estória para enfatizar a "humildade" das suas origens...) passasse a ser referida numa saída da autoestrada como se tivesse a mesma importância que Loulé ou Albufeira...
Não gosto que Cavaco, no seu afã de seguir o guião que o procurava transformar no "poço de virtudes e de vida de provação", tenha tido o mau gosto de, em plena crise económica, vir lamentar-se de que a sua "parca" reforma mal lhe dava para viver...
Não gosto que Cavaco, de saída da Presidência, tenha condecorado tanta gente que tão pouco ou tão mal fez pelo país e onde pontua o inefável Sousa Lara que foi a sua cara e mão na vergonhosa exclusão do livro de Saramago "O Evangelho segundo Jesus Cristo" da candidatura ao Prémio Literário Europeu de 1992.
Mais razões poderia apontar. E é por elas que saber-me-á pela vida o champanhe que beberei no dia 9 de março, com a certeza de que há dias felizes na vida do comum mortal..."

Eu estive lá! Na Praça da Rainha a dizer adeus ao rei!
Se não foi com CAVA, foi ao CAVA daqui para fora!

Tone do Moleiro Novo