quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O meu 25 de Novembro

Também tive e continuo a ter. Um todos os anos! 

- E o de 1975???

Esse foi o da oportunidade perdida! Mas não o que pensam!

Passo a explicar.

Em primeiro lugar tenho que reconhecer o mérito de um tal Menezes, mui, mas nem por isso, social democrata de Gaia, que chamou aos Sulistas, Elitistas e Liberais isso mesmo...
- Sulistas Elitistas e Liberais (doravante SEL). 

Depois desatou a chorar! Nunca percebi porquê. Tinha dito das poucas coisas acertadas que se podem aproveitar da sua vida pública. ( Estou a citar de ouvido a opinião de um Gaiense e a ler o pensamento do Rui Douro)!


E eu aproveito-a ( a etiqueta) pois aplica-se lapidarmente a todos aqueles lá do sítio e a todos os outros que, não sendo lá do sítio, passam a ser logo que bebam água de S. Vicente.       

A de Santo António também serve!                            

Qualquer coisa parecida ao que acontecia aos de Areosa logo que bebessem água de S. Mamede. (Tempos idos). 

Para quem quiser perceber a piada leiam A QUEDA DE UM ANJO do Camilo.

Por esse tempo andavam esses tais SEL à rasca com os comunistas. Não tanto com os do PC pois esses andavam por sua vez atarantados com as ultrapassagens dos grupos ditos de extrema esquerda que se multiplicavam, que nem cogumelos, a atrapalhar a organização. 

Estes discutiam entre si quem era mais revolucionário, se os LM se os maoistas. Também havia os Trotskistas que eram mais pró intelectual pois sabiam até que o desgraçado tinha morrido de susto ao ouvir uma ranchera mexicana!

Aí vai a lista dos ultra revolucionários por ordem alfabética FECMLFERFSPFUPLCILSTMRPPMESOCMLPPC(R)PRTPRPPSRPSTPTUEDSUDPSUV


Nessa altura, se bem me lembro, o nosso Cunhal, bem que
tentava lembrar ás hostes aquele livro de um tal Lenine        chamado: Esquerdismo a Doença Infantil do Comunismo 


O livro poderia não ter qualquer mérito tanto nos fundamentos como nos efeitos. Mas o certo é que assentava que nem uma luva, no MRPP e noutros quejandos, dos quais  saiu e sobressaiu um tal burroso que andava tão à frente da revolução socialista que chegou à CEE passando por cima do PPD e deixando a piolheira para o Sampaio e  Santana se entreterem.

Aconteceu então que o embaralhamento era de tal ordem que ainda hoje, passados 45 anos, não há uma explicação para o que sucedeu. Ninguém de fóra entendeu nada e durante este tempo todo, os mais diversos intervenientes também não se entenderam. Cada um tem a sua versão. Nem é agora meu interesse petar esse caminho.

O que me traz aqui é verificar que nós - o NORTE - ou seja o Entre Minho e Douro - Vá lá entre o Minho e o Mondego - perdemos uma linda oportunidade de nos livrarmos de Lisboa.

De notar que foram uns pândegos SELs que resolveram proclamar que havia uma fronteira em Rio Maior. E o curioso é que esses Sulistas (encabrestados por um tal Casqueiro e um tal Fernandes) assumiram que o verdadeiro Portugal - na circunstância - afinal era o NORTE. 

E vai daí os SELs fogem de armas e bagagens para o PORTO.          E assentam arraiais ali no Monte da Virgem de onde a RTP passou a emitir. 

-Tudo porquê? 

Porque os comunistas se preparavam para tomar Lisboa como tinham tomado as herdades alentejanas. 

Os SELs Com o auxilio da CAP puseram o minifúndio numa guerra com a qual nada tinham (os do minifúndio) a ver. 

Ora os tais SELs fugiram para o NORTE e abandonaram Lisboa à sua sorte, deixando-a entregue aos esforçados Eanes e Neves que depois de algum suor, muitas lágrimas e infelizmente algum sangue, lá resolveram a situação. 

Quando a coisa acalmou os nossos gloriosos, heróicos, corajosos e abnegados SELs regressaram a Lisboa. 

( Depois com a lei do barrete, feita à medida, lá resolveram a situação no Alentejo. De notar que esta lei, dedicada à agricultura, não adiantou um boi ao minifúndio!) 

Recentemente esse tal barrete deu uma entrevista a dizer que tinha devolvido a democracia ao Alentejo.

Assim aconteceu que o arraial Sulista instalado no NORTE convenceu um tal beloso que era VICE REI. Era o Alcaide do Forte da Lapa. E por aí se ficaram pois REI seria um titulo que não se lhe ajustava pois não tinha linhagem. Nem algodoagem! Não era sangue azul! Não era descendente do Henriques, nem directo nem abastardado, senão bem que poderia ser entronizado pela novel Monarquia do Norte a proclamar. 
Mas foi pena pois, em  vez, poderia ter sido promovido a Condestável e fazer de D. Duarte aquilo que o Nunálvares fez de D. João I. Desta vez sem lutas desnecessárias.

Assim proclamando o nosso Duarte a Rei da Segunda Dinastia Monarquica do Norte, pós interregno da segunda república e no seguimento da dinastia dos Bragança. 

Poderiam ter sido convocadas as Cortes e decidido uma coisa muito simples. 

Conceder a Independência a LISBOA que com a instituição da Comuna poderia colectivizar o Alentejo á vontade.

O que significaria uma grande e devida reparação histórica, pois devolveríamos Lisboa aos mouros depois de a termos conquistada há 828 anos!!!

A Monarquia do Norte ficaria com o território até ao Sul do Mondego. Haveria uma zona tampão do Rio Liz a Rio Maior 
(A tal fronteira já definida pelos SEL) que ficaria, protegida por Fátima e  ao cuidado da ONU a fim de evitar infiltrações islamistas.

Desta forma teríamos resolvido de uma vez  o tal centralismo de que tanto nos queixamos. E de forma muito airosa e inédita. Aqui ao lado os de Barcelona querem a independência e os Castelhanos recusam. Nós teríamos dado a independência a LISBOA mesmo sem que os SELs a tivessem reivindicado.

De fora ficaria o Algarve que seria vendido aos ingleses e aos alemãs. Com a vantagem futura de nos livrarem do do Pôço de Boliqueime. 
O que sobrasse  poderia mais tarde ficar para chineses. Já que compraram a EDP...Mesmo assim deixariam uns restos para franceses e russos!

É evidente que iríamos trocar o centralismo de Lisboa pelo centralismo do Porto, com o do capachinho nos Aliados. 

Mas sempre ficaria mais perto!

Bem! 

Esta "distopia" daria um bom livro de ficção. Vou propor a coisa ao Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos.

tone do moleiro novo

sábado, 9 de novembro de 2019

Bárbara Reis

Li no PÚBLICO.
https://www.publico.pt/2019/11/08/politica/opiniao/sem-estado-nao-ha-startups-1892847






















Dona Bárbara Reis!


De facto,  tanto no liberalismo encapotado de social democracia do auto denominado Partido Social Democrata,  como nas áreas mais ou menos assumidas que se dizem de centro, ou mais frontalmente aqueles liberais que se assumem, claramente como tal, a contestação politica à "teta do Estado", ao "Estado que só serve para cobrar impostos", ao "Estado que castiga a iniciativa privada" e a defesa que nos deveríamos reger pelas leis do mercado, pára na mais ( ou nem tanto assim) surpreendente das fronteiras.

Aquando da nacionalização do BPN ( e d'outras falcatruas do capitalismo em roda livre) eu não vi, desses abespinhados, qualquer gesto de indignação pela intervenção do Estado. Não vi os liberais sulistas e elitistas encherem-se de brios e cotizarem-se. Não os vi fazer uma vaquinha para salvar a honra da iniciativa privada!



- NÃO!  

- Permitiram a intervenção do odiento ESTADO!

Muito convenientemente permitiram que fôssemos nós todos os phodidos! 

Como se não houvesse sócios, accionistas e administradores desses lindos exemplos da iniciativa privada!

E se houver por aí algum respingador, mando-lhe a conta da parte correspondente à minha contribuição, para que ma pague!

Tone do Moleiro Novo

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Salário Mínimo Nacional

No EXPRESSO desta semana

há 4 dias - A economia portuguesa aguenta um salário mínimo de 750 euros? Proposta do Governo parece não ter espantado os patrões. 
Aqui No EXPRESSO o Senhor João Cerejeira diz que sim e o Senhor Ferraz da Costa diz que não!


Mas vejamos estas notícias!

24/10/2019 - Portugal é o terceiro país da União Europeia (UE) que mais riqueza transferiu para offshores entre 2001 e 2016, De acordo com o estudo da CE, foram desviados para paraísos fiscais cerca de 50 mil milhões de euros pelas famílias portuguesas mais ricas - o que equivale a cerca de um quarto do PIB português - durante um período de 15 anos. O mesmo estudo aponta que Portugal é também o terceiro país da UE que mais receita fiscal em percentagem da sua economia perde para as offshores. Entre 2004 e 2016, terá perdido 1,3 mil milhões de euros - o que equivale a 1% do PIB português.

28/10/2018 - Declaração tem de chegar ao fisco até ao final de março, mas bancos fazem diversas correções depois de terminar o prazo. Mias à frente Depois do ‘apagão’ de cerca de 10 mil milhões de euros nas transferências efetuadas entre 2011 e 2014 – que apenas viria a ser detetado em 2016 – foram tomadas várias medidas que apertam as regras de reporte sobre a movimentação de dinheiro quando este tem por destino um território com regime de tributação mais favorável.
12/07/2019 - Valor transferido para 'offshores' subiu 67% entre 2016 e 2018, face aos ... relativos a transferências para paraísos fiscais, entre 2013 e 2015.

03/07/2018 - Entre Janeiro e Junho, de 2017 foram declaradas transferências para 75 offshores no valor de 10,7 mil milhões de euros, com a Suíça, Hong Kong e Bahamas a encabeçarem a lista de destinos dominantes. Metade do valor foi transferido por contribuintes residentes.

CONCLUINDO 

Já um inteligente  colocou, em tempos, a pergunta ao Jerónimo de Sousa se achava que a economia aguentava pagar 750 Euros!


Agora aqui a cabecinha pensadora pergunta se uma economia que consegue colocar tanto dinheiro lá fora, não consegue pagar um ordenado mínimo de 750 Euros. (???)

tone do moleiro novo

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Rosa Mota

Leio e não acredito ver AQUI

https://tribunaexpresso.pt/atualidade/2019-10-28-Rosa-Mota-boicota-inauguracao-do-pavilhao-batizado-com-o-seu-nome.-e-com-uma-marca-de-cerveja-Senti-me-definitiva-e-claramente-enganada

Leio e (QUASE ) não acredito! - Então a CÂMARA (Municipal do Porto) ALERTA QUE NOME DA ATLETA NUNCA FIGUROU NO PAVILHÃO!!!???

Em comunicado, a Câmara do Porto lembra que ..."embora batizado com o nome da atleta, “não tinha, como nunca teve, qualquer inscrição do seu nome nem na fachada em nenhum local visível”.

QUANDO...


Quando se sabe que que, " ... em 1988, o então presidente da Câmara do Porto, Fernando Cabral, decidiu batizar o equipamento em homenagem à campeã da maratona, nos Jogos Olímpicos de Seul."

 Pergunta um labrego mais perto da Galiza que dos Sulistas, Liberais e Elitistas:

- Então como é que sua excelência a Câmara Municipal do Porto tratou da coisa desde Fernando Cabral???

Então não passou tudo de um faz de conta!

- Como é que Rosa Mota se sujeitaria a isto...                                  












Imagem em https://www.comunidadeculturaearte.com/super-bock-arena-pavilhao-rosa-mota-tem-como-objectivo-preservar-identidade-e-assegurar-acustica-do-edificio/

- Sabe uma coisa Senhora Dona Rosa Mota?

(Não lhe digo pois até tenho vergonha dos meus próprios pensamentos)

Tone do Moleiro Novo

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Os Dissuasores

Fico nas horas do carallo com os dissuasores!

Sem fundamentos, tentam impor opiniões que sendo subjectivas é certo, mas por isso mesmo, não podemos deixar que nos condicionem. 

Ás opiniões sem fundamento não lhes chamo opiniões. São pressentimentos, são palpites, crenças, actos de fé e na pior das hipóteses são preconceitos!

E como são palavras diferentes há que lhes dar um significado diferenciado para se saber do que se fala!

No entanto os pressentimentos, os palpites, as crenças, os actos de fé, preconceitos e outras divagações mentais, cabem perfeitamente na filosofia e na poesia! Não na justificação das coisas.

Ou seja; não basta - EU ACHO QUE! 
- É necessário justificar porque é que se acha que...!!

Vem tudo a propósito de uma coisa ao estilo do Aleixo que anotei num dia em que me danei com um desses exemplares. Não é um original, mas também não me ocorre de onde veio. Espero que não venha alguém atrás de mim à procura dos direitos e dos tortos.

O COGUMELO SEM CULPA
ESTÁ DESCANSADO NA MATA
VEM LOGO UM FILHO DA PUTA
METE-O DENTRO DUMA LATA

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Alexandre Soares dos Santos


Dizem os antropólogos que em nós, os humanos rasca,  a dor da perda varia na razão inversa da distância que nos separa do "outro". Assumida que é toda a consideração que  qualquer ser humano me merece no seu passamento, recordo agora uma frase atribuída a 
Alexandre Soares dos Santos numa entrevista ocorrida em Fevereiro deste ano!

" OS POBRES FIZERAM-SE PARA A GENTE OS TRANSFORMAR EM CLASSE MÉDIA"

Ver https://observador.pt/especiais/alexandre-soares-dos-santos-os-pobres-fizeram-se-para-a-gente-os-transformar-em-classe-media/


Esta "máxima" não a ouviu Marx. E se alguma vez isso lhe tivesse passado pela cabeça não teria escrito o CAPITAL!

Teria também evitado as dores de cabeça de quem tenta ler tal livro. Além de que teria também evitado o seu (dele Marx) próprio desgosto de não ver as suas ideias levadas à prática. E quando o tentaram deu no que deu!

Mas vale a pena uma reflexão mais profunda sobre o dito...

1 - Os Pobres fizeram-se...

- Fizeram-se a eles próprios ou alguém os fez?

Se já nasceram assim a culpa da sua existência foi dos pais!

As mulheres, para o evitar (terem nascido assim) deveriam então parir somente "Ricos".

Mesmo assim a culpa não foi das mulheres. Nunca vi alguma mãe que não dissesse: "MEU RICO FILHO".

Como nunca vi alguém responsabilizar-se pele existência de "Pobres" chego à conclusão que os pobres são obra de DEUS.

Acredito que o tenham sido pois segundo os Evangelhos o filho de Deus, por Jesus Cristo conhecido, terá dito que:

«é mais fácil a um camelo passar pelo cu de uma agulha do que a muitos ricos entrarem no reino dos céus».

pois concluo pelo seu inverso

«é mais difícil a uma agulha passar pelo cu de um camelo  do que a muitos pobres entrarem no reino dos céus».

E tanto privilégio, na entrada em nossa casa, só se dá aos filhos!

2 - "...a gente os transformar em Classe Média"

A gente... quem???

Só vejo com essa capacidade; -  os RICOS. Não creio que, por muito generosos que sejam os pobres, estes consigam que se auto recompensem com tamanha dádiva!

Acho assim que o dito subentende "nós os ricos" quando evoca A GENTE.

Mas se não se duvida de onde vieram os POBRES o dito de Alexandre Soares não dá pistas sobre de onde vieram os RICOS ( a tal gente) 

Esses, não duvido, fizeram-se todos por eles próprios!

Mas na sua generosidade os RICOS permitirão apenas que os pobres se transformem em classe média. 
Chegarem a ricos nem pensar!

Mas aqui surge um problema em circuito fechado. Se a missão dos ricos é transformar os pobres em classe média, o melhor é que esse desiderato não seja alcançado.

Se alguma vez os RICOS acabassem com os POBRES deixariam de ter com que se entreter nas horas vagas. 

Morreriam de tédio!

Tone do Moleiro Novo


sábado, 27 de julho de 2019

António Lobo Antunes













imagem retirada de  dererummundi.blogspot

As coisas aparecem de onde menos se espera!

E esta tinha até passado despercebida. 


Poucos leram EL PAÍS de 19 de Setembro de 2015 e não sei a repercussão que a coisa teve por cá e por essas alturas.

Para melhor compreensão  AQUI VAI
 https://elpais.com/cultura/2015/09/18/actualidad/1442599830_647238.html

Na entrevista que Melo Antunes aí dá ao PAIS vizinho começa por afirmar que: 

“Mis libros nacen de la basura”

Efectivamente!!! - Diria eu!

Mas destaco desse entrevista esta preciosidade;

Pregunta. Gracias por recibirnos en su casa de Lisboa, la ciudad de Pessoa.
Respuesta. No soy un admirador de Pessoa.
P. ¡Hombre! El libro del desasosiego…
R. El libro del no sé qué me aburre de muerte. La poesía del heterónimo Álvaro de Campos es una copia de Walt Whitman; la de Ricardo Reis, de Virgilio. Me pregunto si un hombre que jamás ha follado puede ser buen escritor
Isto seria apenas hilariante se o fora dito à mesa dum café entre amigos e já bêbados!
Mas não! Trata-se de uma entrevista a  

"El eterno candidato portugués al Nobel"


Mas a tal coisa voltou à baila muito recentemente pois
no “Jornal de Letras”  do dia 1 de Fevereiro de 2019 terá sido publicado os seguintes comentários de Eugénio Lisboa ao desarrincanço de Melo Antunes

Mas logo em Outubro de 2015 surgiram os comentários de Eugénio Lisboa que podem ser lidos em.

To fuck, or not to fuck: that is the question


“O ratio literacia/iliteracia é constante, mas, nos nossos dias, os iletrados sabem ler e escrever”. Alberto Moravia
 Peço, desde já, que me perdoem o tom desenfastiado desta prosa,
 a começar pelo título: paráfrase libertina de um solilóquio célebre. Vou usar, como verão, vocábulos desataviados ou mesmo crus: o culpado disto tudo é o escritor António Lobo Antunes que, numa entrevista recente – das muitas que ele não gosta de dar mas vai dando – sugeriu o mote, ao afirmar o seguinte, referindo-se a Fernando Pessoa:  “Eu me pergunto se um homem que nunca fodeu pode ser um bom escritor.”

Não é a primeira vez que o autor de Memória de Elefante nos serve este mimo. Provavelmente, ao tê-la, gostou tanto da ideia, que não se cansa de no-la servir, faça chuva ou faça sol. Reajo a ela, não tanto pela crueza vicentina do tom (e do glossário), como pelo facto de me não parecer cientificamente sustentável.

E, neste ponto, faço apelo ao que, de ciência, ainda reste na cabeça do outrora psiquiatra Lobo Antunes. Antunes propõe, em suma, que a falta de tesão de Pessoa não é compatível com o equipamento profissional de um bom escritor, ou, de maneira menos crua: 
- a castidade não leva à criação poderosa.

Ora bem: quando se põe, em ciência, uma hipótese de trabalho, esta só se mantém de pé, até ao preciso momento em que um novo facto conhecido a vem desmentir (ou falsificar, como diria Popper). Pois o que não faltam são factos que perturbam, abanam e fazem desmoronar a atrevida asserção de Lobo Antunes – os tais factos que Ronald Reagan apelidava de “estúpidos”, porque contrariavam as suas fantasias primárias.

Isaac Newton, incontestavelmente o maior cientista de todos os tempos, morreu virgem ou, se Lobo Antunes assim preferir, não consta que alguma vez tenha fodido – o que não o impediu de sondar, como ninguém, os enigmas do universo. Também não creio que um dos maiores artistas e inventor prodigioso de artefactos tecnológicos – Leonardo da Vinci – tenha fodido por aí além. 

Estes dois exemplos, só por si, bastariam para foder irremediavelmente a hipótese científica do ex-aprendiz de psiquiatra doublé de ficcionista, que dá pelo nome de Lobo Antunes. É certo que nenhum destes personagens que citei é, exactamente, um escritor e Lobo Antunes referiu-se apenas à incapacidade de um casto escrever boa literatura.

Vejamos, então, do lado dos escritores. Os exemplos – os tais factos “estúpidos” – não faltam. Henry James, por exemplo, não consta que alguma vez tenha ido para a cama, com menina ou menino. Walpole bem quis, um dia, seduzi-lo para o seu leito (desconfiado que andava de tanta reticência mais própria de solteirona ressequida), mas o autor de Portrait of a Lady recuou. Houve até uma mulher que se suicidou por ele a ter rejeitado ou não ter descodificado bem os passes que ela lhe andava a fazer, mas nada o levaria a fazer aquilo que Lobo Antunes considera fundamental para uma fecunda vida literária: foder, nem que seja só um bocado.

James deixou uma obra monumental e Graham Greene só se lhe referia, chamando-lhe, com uma vénia, “the Master”, mas Lobo Antunes é de opinião que a obra do grande ficcionista americano ficou completamente fodida por o seu autor não ter fodido.

Jane Austen, que conseguiu o milagre de agradar simultaneamente ao grande público, aos cineastas e aos “high-brows” universitários, também não fodeu. Viveu solteira e virgem e produziu, no meio da mais impertinente castidade, uma meia dúzia de obras-primas. Assim ajudando a foder consideravelmente a hipótese antunesina.

 John Ruskin, que tão bem escreveu sobre arte, merecendo até a glória de ser traduzido para francês por Marcel Proust – que Lobo Antunes tanto e com tal exclusividade admira! – também não chegou a foder, embora tenha tentado: na noite de núpcias, os pelos púbicos da noiva – coisa que, pelos vistos, nunca tinha contemplado – de tal forma o horrorizaram, que deixou a pobre rapariga intacta e nunca mais repetiu a tentativa. Fodido, não é?

A poetisa americana Emily Dickinson ficou igualmente para tia, o que justifica, segundo Antunes, uma reavaliação da sua poesia, à luz de tanto não foder.

Por outro lado, Edgar Poe, o da literatura policial – com o inesquecível Dupin, ínclito precursor de Sherlock Holmes – mas também o mago da literatura fantástica e de horror – que Baudelaire admiravelmente traduziu – e o poeta romântico que Pessoa verteu para português, Poe, dizia eu, cometeu o que Antunes classificaria como o mais hediondo dos crimes: casou com a priminha de 13 anos, Virginia Clemm, sem ter chegado, porém, a fodê-la. Nem a ela nem a nenhuma outra, que se saiba.

O grande poeta Gerard Manley Hopkins, padre, ficou também casto (não sei se por ser padre, mas a verdade é que ficou), o que obrigará, em breve, a organizar-se todo um colóquio douto, para reavaliação da sua obra: quem esforçadamente não fode, escrever bem não pode, garante Antunes a quem o queira ouvir.

Também o emérito Yeats, um dos grandes da poesia do século XX, permaneceu casto até aos trintas e, durante este período de espartano “no fucking”, escreveu e publicou bastante poesia.

E, já agora, para terminar, desconfio bem que o nosso ternurento António Nobre, precursor indiscutível da nossa poesia moderna e “a nossa maior poetisa”, segundo a perfídia mansa do grande Pascoaes, também não era particularmente dado às fornicações que Antunes considera fundamentais ao acto da escrita.

Por fim, ainda na referida entrevista, o autor de Os Cus de Judas dá a Virgílio o que é de Horácio, quando alude desastradamente às odes de Ricardo Reis: assim fode, sem apelo nem agravo, a erudição vigente. É caso de se dizer que, se quem não fode escrever não pode, não é menos certo que quem pouco manuseia o antigo não logra ver além do postigo.

Abrégé do texto acima, com tese (minha): quando se trata de escrever, tanto faz foder como não foder. O importante é ter que dizer e saber o modo de o fazer. Simples?

 Eu diria mesmo mais: fodidamente elementar, meu caro Watson!
Eugénio Lisboa  (...)".
.
Comentários meus. 

- Isto seria digno da GENTE QUE NÃO SABE ESTAR do RAP.


No entanto uma dúvida me assalta na minha pouca humilde pretensão de um dia vir a ser um GRANDE ESCRITOR.

- E  SE LEVAR NO CÚ, SENHOR LOBO ANTUNES???

- SERÁ CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE PARA QUE     FIQUE NA HISTÓRIA DA LITERATURA???

Cheio de ânsias assinado
tone do moleiro Novo